sexta-feira, 27 de abril de 2012


(O anjo rebelde)

Quando nasci veio um anjo vagabundo...
Desses que vagam pelo mundo
E de uma forma lacônica...
Mas também um tanto irônica,
Ele me disse: Rapaz, tu deixas de tolice, pois, na vida serás professor!

Mas esse anjo rebelde não se deu por satisfeito
E logo continuou: ser professor não é defeito!
Entretanto, decerto, o teu valor não há de ser mensurado
E por mais que tenhas estudado haverás de ser sempre ignorado,
Porém, trabalharás por amor, como dissera de forma eloqüente um certo governador!

Esse anjo medonho que cultivava a burrice,
Não ficou com lero-lero porque foi direto e sincero pelo que ele me disse...
Posto que aplaudia a preguiça mental
Com sua insubordinação intelectual,
Não era um anjo enganador!

Mas também, não era um anjo alvissareiro!
Visto que no país – Brasil – inteiro,
Não se vê compromisso com a educação,
Porém, grassa a corrupção, em tempos de eleição, ou não...
Gastam-se milhões com a Copa e com as Olimpíadas, já na educação: um país desolador!

Era um anjo Tupiniquim,
Que fazendo confissões para mim...
Dizia que eu como professor deveria ser incansável, pois trabalharia noite e dia,
Em troca de um ínfimo salário, menor do que o de um bóia-fria,
Maldito, anjo safado, deveras é de causar dor!

O anjo insubordinado intelectualmente,
Disse-me também de repente
Que eu precisaria de boa representação e sossego,
Porque na educação teria um sindicato pelego,
Em troca de favores escusos com um tal gestor!

E o anjo da crueldade para aumentar o tormento,
Também se pronunciou: não viverás de aumento...
E prosseguiu com a conversa: sempre na primeira pessoa conjugarás o verbo dar!
Já que por aulas ministradas, tu não poderás cobrar!
Assim, de fato, serás um eterno sofredor!

E esse anjo infeliz, não é que tinha razão...
O professor nunca diz o valor da aula não...
Vivendo de sala em sala ou de uma escola a outra, vagando de mão em mão...
Quando alguém o interpela, sem delongas, ele fala: vou dar aula meu irmão!
E assim tem sido a vida, sem qualquer contrapartida, em prol do guerreiro professor!

Autor: Professor Erivan José dos Santos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Revendo os meus conceitos para não se tornarem preconceitos! 


(Autor:Erivan José dos Santos)


Seu direito não começa quando o meu termina, ou vice-versa, posto que o direito é fruto de uma relação intersubjetiva, portanto, o direito está entre nós!


(Autor:Erivan José dos Santos)


Nunca desista dos seus sonhos, pois, a partir deles você se tornará eterno!


(Autor:Erivan José dos Santos)


O homem se torna um gigante quando se desvencilha de sua mesquinhez febril!


(Autor:Erivan José dos Santos)

quarta-feira, 25 de abril de 2012


Diário de um presidiário

Erivan José dos Santos *

I
Qual é a finalidade de um presídio?
Perguntava a mim mesmo... como uma provocação,
Será que a minha imagem vai aparecer no vídeo?
Vai ser bom... porque aqui todos assistem à televisão!

II
De repente eu apareço, fico ainda mais “famoso”...
Puxa! Por que não pensei nisso antes? Bem que eu merecia...
O pessoal lá do morro só me chamava de “seboso”,
Ah! Vai ser uma verdadeira melodia!

III
Os manos da favela inteirinha me vendo lá na telinha...
E a moçada comentando, todos ligados em mim...
O sistema está falido, mas sei que a culpa não é só minha...
Opa! - Tive uma grande ideia - Vamos fazer um motim!

IV
Aqui ninguém faz nada interessante
E com essa ociosidade nunca vou me recuperar,
Quem vive detrás das grades a mente deve ocupar,
Então, sendo dessa forma a cadeia vai girar, avante!

V
Queremos reivindicar também os nossos direitos,
A fim de providenciar igualdades para os presos,
Pois, mesmo aqui na cadeia há inúmeros preconceitos,
Os presos remediados têm privilégios coesos!

VI
Viemos de uma sociedade visivelmente corrupta...
E de fato a nossa casta é diferente das outras,
Nós fazemos o contrário e agimos de forma abrupta,
Mas eles são tão vorazes que superam até as lontras!

VII
Talvez seja em razão do grau de intelectualidade...
Pois, eles são da elite desta tão grande nação...
E nós somos da ralé, filhos de “Maria” ou de “João”,
Somos a marginalidade de um país sem igualdade!


* Jurista brasileiro
 Poesia publicada na Argentina pela Persona, Revista Eletrônica de Direitos Existenciais, na edição de número 88 em janeiro de 2012.

terça-feira, 17 de abril de 2012

domingo, 15 de abril de 2012


Apologia da UBA

I

Desde que entrei na UBA
A minha vida mudou,
Permitindo que eu suba,
Seu prestígio me ajudou!

II

Já nos tempos de menino
Sonhava eu ser doutor...
E como coisa do destino,
Na UBA, virei autor!

III

Mas o sonho de ser doutor
Permanece muito vivo
Desse projeto eu sou o mentor
Academicamente ativo!

IV

E como diz o nosso amigo,
Grande homem e professor,
Nada por mal ou castigo...
Na UBA, terás mais valor!

V

O professor Ricardo é assaz incisivo,
Sendo ele o diretor
Do nosso curso intensivo,
Ignacio Tedesco é nosso coordenador!

VI

Os títulos que as outras concedem
São como pontos de partida,
Os da UBA, que só por méritos se medem,
Diz o professor Ricardo: de fato te mudam a vida!

Autor: ERIVAN JOSÉ DOS SANTOS

Diário de um presidiário*

Erivan José dos Santos **

I
Qual é a finalidade de um presídio?
Perguntava a mim mesmo... como uma provocação,
Será que a minha imagem vai aparecer no vídeo?
Vai ser bom... porque aqui todos assistem à televisão!

II
De repente eu apareço, fico ainda mais “famoso”...
Puxa! Por que não pensei nisso antes? Bem que eu merecia...
O pessoal lá do morro só me chamava de “seboso”,
Ah! Vai ser uma verdadeira melodia!

III
Os manos da favela inteirinha me vendo lá na telinha...
E a moçada comentando, todos ligados em mim...
O sistema está falido, mas sei que a culpa não é só minha...
Opa! - Tive uma grande ideia - Vamos fazer um motim!

IV
Aqui ninguém faz nada interessante
E com essa ociosidade nunca vou me recuperar,
Quem vive detrás das grades a mente deve ocupar,
Então, sendo dessa forma a cadeia vai girar, avante!

V
Queremos reivindicar também os nossos direitos,
A fim de providenciar igualdades para os presos,
Pois, mesmo aqui na cadeia há inúmeros preconceitos,
Os presos remediados têm privilégios coesos!

VI
Viemos de uma sociedade visivelmente corrupta...
E de fato a nossa casta é diferente das outras,
Nós fazemos o contrário e agimos de forma abrupta,
Mas eles são tão vorazes que superam até as lontras!

VII
Talvez seja em razão do grau de intelectualidade...
Pois, eles são da elite desta tão grande nação...
E nós somos da ralé, filhos de “Maria” ou de “João”,
Somos a marginalidade de um país sem igualdade!



* Poesia publicada recentemente na Argentina, na Persona, Revista Eletrónica de Derechos Existenciales, Edição número 88, Ano 2012, janeiro.
** Jurista brasileiro

Que país é este... Que país é este? Já dizia a letra da música!



Só aqui mesmo no Brasil para se acenar com um gesto tão mesquinho como foi o dos prefeitos e governadores, que tão logo tomaram conhecimento do valor reajustável do piso salarial nacional dos professores se dirigiram velozmente à Capital Federal Brasília - para fazer ingerência junto aos representantes da Câmara e do Senado, ou mesmo para fazer lobby, o que é mais provável.

Essa (in)ação advinda justamente daqueles que deveriam zelar pela educação é deplorável, no sentido amplo do termo, parece até que já estavam todos mancomunados, à espreita e com união de desígnios de vontades para impedir esse ínfimo reajuste a que todos temos direito, inclusive, salvaguardado por lei e, que por sinal, já estão em dívida para conosco, uma vez que deveríamos acrescê-lo aos nossos parcos salários desde o último mês de janeiro de 2012! 

Cabe-nos agora envidarmos esforços, no sentido de identificarmos um a um esses algozes da educação brasileira e de forma maciça divulgarmos seus nomes em nossas localidades, escolas, junto aos alunos, pais de alunos, comunidade em geral, amplamente nas redes sociais, um instrumento muito eficaz a nosso favor, dizendo que se trata de verdadeiros aproveitadores, oportunistas, inimigos do país. 

Inimigos do país sim, porque quem é inimigo da educação é, por via de regra, inimigo do país, todos sabemos que a educação liberta, o profissional melhor remunerado terá muito mais prazer em compartilhar seus saberes junto aos seus alunos, isso é óbvio. E os alunos livres do aprisionamento intelectual a que estão submetidos por imposição do poder dominante representam um risco iminente aos interesses escusos de políticos inescrupulosos que se alimentam como vermes da ignorância do povo, mantendo-o obediente através da opressão e do sofrimento alheios. 

Lutemos, pois, o direito é uma demonstração de forças, é uma luta constante, a fim de adquirirmos novas conquistas, mas também de ficarmos vigilantes para não perdermos o que já conquistamos, precisamos nos unir, o direito é um meio termo entre o déspota e o anárquico, não aceitemos que esses déspotas nos tornem criaturas vis, mas também não sejamos anárquicos por equiparação a eles, que de forma asquerosa,odiosa, sórdida conseguem ser déspotas e anárquicos, simultaneamente. 

Temos a força ao nosso lado, que é o poder da palavra e do convencimento, façamos jus à nossa condição de professor!

Erivan José dos Santos.

Bacharel em Direito;
Professor da Secretaria de Educação de Pernambuco;
Articulista e imitador de poeta;
Especialista em Direitos Humanos;
Especialista em Direito Educacional;
Especialista em Gestão Pública;
Pós-Graduando em Gestão Governamental;
Regularmente matriculado no Programa de Doutorado em Direito Penal da Universidade Federal de Buenos Aires - UBA.